terça-feira, 19 de outubro de 2010

Portas e Janelas

Fui desgraçado por Deus assim que cheguei nesse mundo. Sem garantia nenhuma. Sem dinheiro no bolso. Sem lugar pra morar. Sem emprego. Ralas mãos estendidas na minha direção. Mas não deixei que aquilo tudo me abalasse. Eu me levantei toda vez que cai. Sim eu me levantei. Pedia paz a qualquer um que por mim passasse. Eu pedia paz e seguia em frente.

Na minha chuva e no meu sol eu seguia sem saber onde chegar. Encontrava portas enterradas e janelas voando, nunca quis abrir as portas, nunca quis sentir o vento entrar por aquelas janelas.

Me enganei tantas vezes que quase fiquei cego. Apostei todas as fichas num grito só mas esqueci que também não havia sorte ao meu redor só a fumaça dos cigarros no ar. Sempre acreditei que um pouco disso (sorte) me faria bem mesmo não acreditando que exista.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Dando um Peitaço

“Subi correndo no primeiro bonde, sem pensar que parasse, sem saber pra onde ia, meu caminho – pensei confuso: meu caminho não cabe nos trilhos de um trem” Caio Fernando Abreu.

Quando eu tinha 15 anos e estava entrando no segundo grau queria muito ser jornalista. Por vir de uma família já com história na área. Meu tio, Luizinho De Grandi, foi um dos fundandores das Empresas Jornalisticas De Grandi juntamente com meu outro tio Celito que começou a vida profissional como repórter do Diário de Notícias no início da década de 60, escreveu 4 livros entre eles “Loureiro da Silva, o charrua” (editora LPM) que ganhou o prêmio açorianos em 2006. Tenho muito orgulho dessa “parte” da família! E por muito tempo alimentei a vontade de ser jornalista, por influência desses dois grandes homens que tenho a felicidade de ter como tios.

Mas descobri as artes gráficas, em particular trabalhar com o Corel e Photoshop. De quebra um emprego na Pallotti me rendeu um curso de Indesign (ferramenta que hoje é a mais usada para editoração de livros, revistas e .... jornais) no início do mês de julho fui convidado para diagramar e fazer parte da direção de um jornal novo aqui em Santa Maria, o jornal do Cidadão Santa-mariense. Um jornal com foco cultural e comportamental, um jornal/revista como gostamos de chamar aqui. Para ele sair do projeto e tomar as ruas contamos com o apoio de muita gente “grande” aqui da cidade como Carlos Alberto Bellinaso, conhecido nome do jornalismo santa-mariense, Odilon Ramos que por duas vezes foi chefe de gabinete do governo do estado, também diretor da TVE RS durante três anos e mais algumas pessoas, além de grandes apoiadores como nossas famílias e amigos !

Só temos a agradecer. Podemos dizer que nosso “filho” está na rua e a receptividade tem sido excelente. Em outubro sai a segunda edição. Contamos com a leitura de vocês.

sábado, 28 de agosto de 2010

...

Perdi muita coisa em 3 anos e meio. Respeito próprio, amigos, futuros grandes amores.
Propus-me esquecer que vivi esse tempo, mas ao mesmo tempo buscar minha identidade e tudo o que perdi, mesmo não querendo esquecer algumas páginas anteriores do meu livro vida.

Deixei-me levar por muita coisa ruim, “cego” como disse um amigo meu uma vez enquanto escutávamos o som que saia de um celular. Deixei de lado muita coisa boa. Deixei de canto as conversas com meu amigo poeta, a cerveja no Miau com meu brother ilustrador, as noites de conversa fiada nos bares, as risadas com pessoas que eu poderia conhecer, a troca de conhecimento com outras. Uma infinidade de coisas que agora quero trazer para o meu mundo. Admito minha parcela de culpa nisso tudo.

Aos meus amigos que perdi nesse tempo:
Vocês sempre estiveram comigo.
Ao respeito que perdi de muitos: espero um dia recuperar, estou lutando para isso.

Vamos todos juntos roubar um carro e cruzar a cidade de bar em bar e pedir a melhor e a mais gelada cerveja. Por que eu também me sinto um Descontente

terça-feira, 29 de junho de 2010

Neon

“Deixa o rádio ligado na freqüência de sempre”
Ela disse antes de deitarem

A agitação da noite ainda estava na cabeça deles quando
Ambos derrubaram seus corpos na cama

O movimento dos carros
A luz neon na entrada do bar
Tudo ainda girava e perturbava os olhos dos dois

“Agora é hora de paz
Hora de silêncio
É hora de beijar tuas costas

Afoga teu suspiro no meu ouvido
E cheria meu pescoço como só tu sabes”

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Serviço de Divulgação



Sexta dia 18 a Sonnets (minha banda pra quem não sabe hhehehe) se Apresenta no The Groove Hall, entrada a R$ 6,00. Iremos apresentar todas as nossas canções e uma nova que finalizamos no ensaio de ontem (terça dia 15) ainda sem nome.

Contamos com a presença de todos ...

letra do novo som:

Eu peço que deixe pelo menos uma porta aberta
pra que eu possa conhecer
o teu lar e uma vez mais
descalço vou correr só pra te dizer

não se importe com a chuva que vai molhar
a calçada onde os teus pasos vão pisar
cante o verso da tua melodia ahhhhhhh
e joga a sorte numa voz que vai cantar

Refrão:
Estranhamente a vida grita assim
sem reposta eu quis você pra sempre aqui
Num vacilo sem final eu digo sim
Sem querer talvez você me encontre aqui
mais Sonnets:
breve site
abraços

terça-feira, 8 de junho de 2010

Na raça

Nunca me considerei um bom vocalista, longe disso, não tenho técnica, nunca tive aula de vocal, nunca respeitei a respiração correta para cantar. E para piorar ainda toco guitarra, isto é, são dois trabalhos: concentração para não errar nenhuma nota na guitarra e concentração no vocal.

Sábado dia 05.06 tive uma prova dura do que é fazer um show na raça. Eu estava com febre desde a terça-feira anterior ao dia da apresentação, minha garganta havia ganhado algumas placas e uma forte inflamação. Preocupado com o show de sábado e em como a minha voz estaria me dirigi até um hospital onde tive que tomar dipirona na veia para baixar a febre de 39°, além de sair de lá com uma receita de antibióticos, antitérmicos e spray para aliviar a dor na garganta. Paramos na farmácia. Compramos tudo! Comecei o tratamento na quinta-feira a noite mesmo!

Sexta ainda tinha um duro dia de trabalho na agência, com febre e muita dor consegui finalizar os serviços e fui embora. Sábado de manhã subi no centro para comprar cordas para a guitarra e alguns CDs que eu gravaria mais tarde para distribuir no show. Cheguei do centro tremendo. A febre que eu acreditava ter ido embora tinha voltado. Mais uma vez hospital... e eu pensando “logo em dia de show, eu assim”. Na ida liguei para o Pablo guitarrista da Sonnets e grande brother meu. Minhas palavras foram: “cara tô indo pro hospital fazer minha última tentativa de melhora: tomar um injeção.” Eu estava agitado de cara mesmo... fazer o que ? o cara me acalmou dizendo que se eu não estivesse bem a gente não faria o show na boa. Mas como sou marrento e não me integro...

Cheguei no P.A e o atendente me pergunta na cara de pau: “o que é pra vocês ?” quase que eu respondo: “quero uma passagem pro céu meu amigo” ... me calei depois disse “quero atendimento médico” (óbvio) . Fui atendido... não tinha mais o que fazer, era tomar o medicamento indicado na quinta-feira e esperar fazer efeito. Eu não podia esperar! Não sou de esperar. Na volta pra casa liguei de novo para o Pablo e disse: “Foda-se vou fazer esse show”. Passamos o som já era noite. Vim para casa, tomei banho me alimentei e voltei para o bar. Subimos no palco pontualmente a 1:15 da manhã de sábado pra domingo. Eu nadava em meu próprio suor, minha garganta secava no meio das músicas. Água e água, nunca bebi tanta água num show! Tocamos oito canções. O som no cavaco, certinho, tudo bonito, os timbres as pessoas, as canções ... consegui cantar bem dentro do meu limite técnico e que a minha saúde me possibilitava naquele momento. Pra mim um dos melhores shows da Sonnets.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Abraços e uma nova canção!

Outro dia recebi um convite para ir jantar na casa de um grande amigo meu...
Ele tinha passado a tarde de sábado aqui em casa e resolvi mostrar algumas canções que eu não tinha acabado. Entre tantas que mostrei, perguntei se ele topava escrever a letra e colocar algum requinte de seus acordes em uma das minhas simples melodias. Convite aceito!
Eu tinha composto aquela canção há uns seis meses e realmente não estava conseguindo colocar harmonia vocal, nem sequer um esboço de letra eu tinha na cabeça.
Papel e caneta na mão e eu ditando algumas coisas no violão... A letra começou a surgir!

Frases soltas, mas repletas de referências interessantes como o corre-corre dos carros na Avenida Presidente Vargas, a mudança de estação e outras frases que respiravam imagens. Mudamos algumas coisas, colocamos alguns acordes para deixar a coisa mais redonda e tiramos o que estava "sobrando". Decidimos momentos de paradas, bases para solos e riffs de guitarra.
Em duas horas a letra estava quase pronta e reparamos que poderíamos ter composto duas canções a partir daquela que eu havia apresentado.
Logo mais a noite, dirigi-me a casa dele onde fui recebido com Go Let It Out do Oasis. Ele não poderia ter me recebido melhor!
Colocamos a cerveja na geladeira e pegamos os violões para tentar terminar a canção que tínhamos começado pela tarde.


Três folhas de letra ... muito rabisco, anotações de acordes, paradas, solos... Juntei um pedaço de letra aqui outra frase que estava por ali e fechou! O som estava pronto! A canção estava pronta e nem tínhamos percebido! Melodia meio Oasis com uma pitadinha de Paul Weller.
Sim... Coisa fina!